Mr. Mulder


Sábado, Março 29, 2008:

A aldeia dos zumbis

Sentado distante do centro da aldeia
Ponho-me a pensar sobre os demais habitantes dela.
Seres de corpo oco, de olhar sem brilho cuja respiração
Mais parece um suspiro prolongado.

Não sabem que direção tomar.
São carregados pelo vento sem qualquer esforço.
O sangue nas veias os mantêm aquecidos mas isso
Não pode ser chamado de “vida”.

Eles ficam assim: prostrados e murmurando
Sobre o que deveriam fazer e como.
Mas a ação realizadora é assassinada
Pela própria letargia.

Aldeões que são, não possuem o brilho
Típico dos guerreiros, embora a postura
Seja a mesma típica dos nobres.

Sonham de olhos abertos.
Alimentam-se de um amanhã que
Só existe no calendário dos tolos.

Sanguessugas de si mesmos.
Pobres diabos de bom coração
Que não pulsa!
Reféns de um seqüestro auto infligido.

Vítimas das próprias mentiras.
Acorrentam-se a ilusões do passado e
A expectativas irreais.

Preferem o veneno homeopático
À vacina amarga.
Embora finjam acreditar
Que leram o rótulo certo.

Definham-se pelo câncer
De sua própria existência.
E não colocam um ponto final
Pois já se aprisionaram às reticências.

RODRIGO BARROS // 10:51 PM Comments:

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Nome: Rodrigo Barros

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Odeio: hipocrisia, falta de consideração, pessoas cheias de "marra" e chá de boldo.