Mr. Mulder


Quinta-feira, Setembro 06, 2007:

House

Trabalhar com o público é uma experiência bastante interessante. Ainda que muitas das interações do meu cotidiano não sejam tão diferentes entre si, o contato direto no serviço aos indivíduos lhe permite asseverar a triste realidade de suas existências. Pelo menos, ao meu ver, da maioria.

Para quem não sabe, estou trabalhando em banco. E para os mais informados, todo e qualquer banco se transforma num verdadeiro pandemônio nos 11, 12 primeiros dias do mês. Mas o que me incomoda... não, deixe-me reformular: o que me entristece não é o excesso de gente mas sim o excesso de auto-piedade de tantos deles. É ver que por medo ou preguiça muitos se abdicam de si mesmos. Aceitam ver-se ancorados aos funcionários para toda e qualquer movimentação financeira de sua vida.

Mas isso não é culpa dos bancos. É culpa dessa nossa mentalidade do menor esforço, da "lei de Gérson" que nos faz arranjar desculpas para os nossos problemas; dessa mania terrível e maquiavélica de depositar nos outros a causa de tudo que nos acomete. É essa inércia ao progresso que tolhe o espírito.

Pra quem já assistiu na tv a cabo ou em DVD, existe um tal Dr. Gregory House, interpretado pelo carismático Hugh Laurie, que além de diagnosticar magistralmente os mais variados casos, estende esse talento às análises de caráter de seus pacientes e colegas. Seu humor sarcástico e criativo é fruto de uma inteligência extremamente perspicaz, onde nenhum detalhe lhe escapa. Às vezes, são acompanhados de uma ácida sinceridade que chega a chocar os mais cordatos.

Entretanto, é justamente isso que House tanto condena: essa hipocrisia das meias-palavras, a "conversa fiada" e os engôdos, inclusive os auto-infligidos. House mergulha na psique de cada próximo e destrincha sem qualquer piedade suas segundas, terceiras e quartas intenções. Lembro de ter lido num trecho do livro "Elite da tropa" que as palavras e modos sinceros raramente vêm acompanhados de boas maneiras. E House é um exemplo perfeito dessa afirmação.

Ele é rude, muitas vezes arrogante e demasiadamente racional...mas ele é o único, dentre todos da série, que não tem medo de ser julgado pelas opiniões alheias. Ele não se preocupa em perseguir elogios e aprovações; se preocupa tão somente em fazer o que julga ser certo, em achar a resposta para o problema. House não perde tempo tentando apaziguar nossas consciências. Ao contrário, ele regurgita a verdade diante nossos olhos e nos deixa para tomarmos a decisão.

Apesar de desaprovar boa parte do que faz, acabo por entender o rabugento médico. Vejo que está cansado da humanidade, dessa desmedida necessidade de aceitação que mata a individualidade que vem conosco; das nossas patéticas respostas altermativas para questões tão óbvias, onde a realidade é por demais dolorosa para ser aceita. Talvez seja por isso que na série ele evita encontrar-se com os pacientes: além da incômoda ladainha da entrevista de diagnóstico, dá trabalho esbofeteá-los com a verdade que teimam em encarar.

Sinto que é isso que falta no mundo. Falta uma postura mais séria, autêntica e respeitosa com a gente mesmo e os demais. Falta parar com a teoria dos empecilhos e colocar mais a mão na massa. O problema é que, como dizia Norman Vincent, "as pessoas preferem ser arruinadas pelo elogio a serem salvas pela crítica". Ainda bem que existem uns poucos loucos que agarram a bóia da dignidade construída pelos fatos.

RODRIGO BARROS // 10:45 PM Comments:

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Meu humor atual - i*Eu

::De lado::

Nome: Rodrigo Barros

Níver: 05/03 (1982)

E-mail: sou tímido demais para dizer.

Gosto de: conversar, fazer amigos, ajudá-los e debater idéias.

Odeio: hipocrisia, falta de consideração, pessoas cheias de "marra" e chá de boldo.