Mr. Mulder


Quarta-feira, Dezembro 13, 2006:

A violência de cada dia

Se cada um de nós fosse uma estátua, veríamos grotescas crateras em nossa constituição. E não são provenientes da erosão causada pelo vento ou chuva mas pela erosão de nossa auto estima. E tudo por causa de um fenômeno próprio do nosso excesso de ignorância: a violência.
Os planos de saúde deveriam louvar aos céus pois se os danos morais ou psicológicos fizessem parte da cartilha de serviços prestados, certamente o rombo seria de milhões, tamanha crueldade impomos a nós mesmos.
Qualquer tentativa minha de explicar a violência neste blog seria - além de demorada - patética dadas as pretensões. Isso serve para mostrar que até as idéias são violentas. Talvez... elas sejam, de todas as formas, a mais violenta de todas. Quem sabe... a precursora de todas as formas de agressão.
Pois a ação nada mais é do que o último passo do processo neuronal, banhado em pensamentos equivocados e sentimentos confusos. A nebulosidade de nossas idéias guiam-nos por uma rota traiçoeira e enganosamente satisfatória. Não mencionemos qualquer coisa sobre "o sentido da vida" (pois isso é deveras questionável) mas atentemo-nos para a empatia do que ocorre.
Quantas vezes vc já não foi xingado, humilhado, desacreditado, traído, desrespeitado? A não ser que seja exemplar de uma espécime extraordinária, acredito que tenha passado por isso centenas de vezes. A cada momento vc se deparava com uma situação que o fazia sentir menos humano, abalado na fé acerca de seu semelhante.
Será que esse é o preço de milhões de anos de evolução? Estaríamos fadados, depois de tudo o que já foi registrado na história e a despeito do que conquistamos científica e tecnologicamente, aos mesmos erros? Todo esse aparato neurológico extremamente complexo para nos envergonhar diante de comportamentos que não são realizados nem por espécies tidas por nós como "inferiores"? O bom senso nos leva a responder que "não"....mas talvez a razão ainda não seja o que de fato nos distingue. Se assim o fosse, talvez este texto não seria necessário.
Tomemos cuidado para não ferir a quem quer que seja desnecessariamente. Essas perversidades, embora nos torne mais aptos e atentos ao nosso habitat, exigem-nos um alto preço a se pagar: destruirmos parte daquilo que poderia nos tornar melhores e mais bonitos moralmente.

RODRIGO BARROS // 11:24 PM Comments:

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Nome: Rodrigo Barros

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Odeio: hipocrisia, falta de consideração, pessoas cheias de "marra" e chá de boldo.