Mr. Mulder


Quinta-feira, Setembro 08, 2005:

Hoje o dia parecia qualquer como todos os outros: acordei, tomei café, fui à faculdade, conversei com meus queridos colegas, ri, tive aula e voltei para casa. É uma rotina que acontece com muitas pessoas nos mais variados lugares. Tudo leva a crer que nada de especial aconteceria... mas aconteceu. Foi mágico, encantador e surpreendentemente comum. Lhes conto.
Após minha matéria de cor, desci com minha colega de turma Deise e com minha professora Regina. Nós estávamos, inicialmente, interessados em procurar algo para comer enquanto o pessoal do segundo período se preparava para a aula da professora que nos acompanhava. Aí, resolvemos parar e conversar com nossos queridos colegas do último período. Como sempre, eles estavam num papo animado e diversificado. Nos aproximamos de uma dupla que geralmente anda junta e, junto com a professora Márcia, comentávamos sobre design e filmes. Foi justamente quando abordaram o tema filmes que a tal "mágica" ocorreu.
De repente, a moça da tal dupla comenta sobre um que assistira e achara maravilhoso. Uma das integrantes da conversa, então, discorda e emite a sua opinião. "Até aí nada demais" vcs devem estar pensando. Calma que já chego lá.
Foi então que o rapaz dessa mesma dupla começa a puxar o nó que desencadeia outros filmes e, junto a esses filmes, mais memórias, lembranças... e sensações. Foi aí que decidi ficar quieto e prestar mais atenção. Claro que estava interessado em saber o conteúdo das obras mencionadas mas meu foco se voltou para o tom de voz que eles manifestavam a cada lembrança. Era algo contagiante.
Cada sílaba, cada palavra era acompanha de um ânimo doce e quase infantil. As palavras viraram uma melodia suave que só encontrava eqüidade no brilho de seus olhos. Aí fui constatando a riqueza que existe no mundo; a riqueza da diferença. Obviamente que sabia que existia diferença e sempre a respeitei mas nunca tinha parado e observado tão atentamente como hj.
Já me peguei olhando para as pessoas e indagando: "Como deve ser o dia a dia dessa gente? Quais são as histórias de suas vidas? O que eles têm para contar, ensinar, trocar? Como eles vêem e se comportam no mundo?"
Hj comentei com a minha mencionada colega Deise que estava com vontade de viajar. "Pra onde?" ela perguntou. "Não sei. Qualquer lugar" disse eu. O avião que eu fitava partia pra longe, mas mesmo sem ter ido ao aeroporto, eu consegui viajar. "Viajei" na conversa que tivemos sobre filmes lá no andar de baixo.
Nesse curto período de tempo em que estivemos lá conversando (mais ou menos uns 10 minutos), enxerguei a riqueza simples dos momentos diferentes do meu cotidiano. Simples sim pois a riqueza não precisa ser ostentosa para ser bonita ou agradável. Basta apenas que vc a permita fazer parte de sua vida. Tb não são necessárias posses materiais as mais diversas para se sentir pleno, realizado (mesmo que por alguns segundos). Às vezes vc pode encontrar uma baita inspiração para viver sentado num banco da praça, andando na rua, num posto de gasolina, numa lanchonete, observando os pássaros, fazendo um desenho, ouvindo uma música...ou conversando sobre filmes.
Sempre fui um kra centrado, de observar, parar, refletir. Entretanto, nunca deixei de ser bem humorado, brincalhão, afetuoso. Com o tempo, fui aprendendo muita coisa e minha postura analítica começava a sobressair. Aí eu cresci, me tornei adolescente. Rebelde não fui pois não havia causa, contudo minhas emoções se subjugaram por demais ao intelecto. Tempos depois, ingressei na faculdade e meu raciocínio ponderado e detalhista se mostrou bastante útil.
Faltava algo na minha vida. Não me dei muita conta na época mas algo não estava de todo bem. Hj percebi o que era: faltava mais "cor". Faltava relaxar um pouco mais, faltava me desprender, faltava um brilho maior nos olhos, uma melodia suava que saísse do meu peito e ganhasse os ares numa harmonia acolhedora. É claro que isso não seria tão árduo de se conseguir pois sempre me permiti aprender. E o dia de hj foi uma lição e tanto.
Já tenho tomado esses aprendizados de um tempo pra cá. Os minutos, horas ou outras entidades cronológicas de maior peso que passo na internet conversando com pessoas queridas têm me inspirado muito a isso. E os resultados têm aparecido de forma gradual e cada vez mais profunda. Isso é maravilhoso!
Não posso terminar este post sem contar a vcs os nomes dos meus "professores": Andréa e Dantas. Olha, vcs não têm noção de como "coloriram" o meu dia. Tudo o mais que passei hj teve uma perspectiva diferente graças à semente que plantaram de forma tão cativante. E tudo isso de maneira natural, espontânea, indireta. Agradeço muito, muito, muito mesmo. :-)
Um GRAAAAAAAAAAAAAAAANDE beijo em todos. Pintem seus dias sempre! ;-)

RODRIGO BARROS // 9:00 PM Comments:

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Nome: Rodrigo Barros

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Odeio: hipocrisia, falta de consideração, pessoas cheias de "marra" e chá de boldo.